6.4.05


E depois nos deram tempo para sabermos o que não queríamos. Nos deram as ferramentas. As palavras e também nos ensinaram a pensar. Eu me repudiei de tudo que há em cima da terra. Ou quem sabe também debaixo dela. Quis mergulhar, mas bati a cabeça. Quebrei o nariz e perdi as conexões. Para alguns há saída. Para mim há o céu. Não quis olhar adiante por medo de ver o que estava por vir. Veio cada vez algo mais desprezível. Nasci morrendo. Nunca entendi o significado de algumas palavras. Nunca soube porque agiam assim. Também não sei porque transcendi. Há pormenores sem explicações. Odeio ter que odiar. Odeio não conseguir compartilhar. Já não conseguem discernir. Estamos nos mudando. A lua já não nos suporta mais. Há pouco espaço. Há muita luz. Luz que nos embriaga. Que nos seduz. Não há mais tempo. Não mais nada. Nada é tudo. Tudo é vazio. O vazio não foi preenchido. Há um saldo negativo. Sempre nos enganaram. Um dia eu vou sair daqui e começar o que já terminou. Juntamente com alguém que faz parte de mim. Ainda bem. Sozinha não sei quantos passos daria. Todos ou nenhum.

menina de papel - 22:10
Agora o papel é seu...



... uma menina de papel com alma de borboleta. Pronta pra voar. Pronta pra se reciclar.


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